Belíssima carta de José Bruges d’Oliveira [1899-1952], datada de 6 de maio de 1922:

Meu prezado camarada:
Estou certo que fui dos primeiros que gulosamente buscaram os seus versos [1].
Que isto lhe diga a consideração em que os tinha e a si.
À consideração em que o tenho agora e aos seus versos, depois da sua auspiciosa estreia, é a maior e mais perfeita, porque tem mais onde se firmar, ou antes, tem já onde se firmar e afirmar.
Você é!, — e sabe também como eu que o é! — você é!, com os seus catorze ou quinze anos, muito mais poeta e muito melhor poeta que muitos que por aí andam gozando uma glória injusta e imerecida. Enquanto muitos versejam, você apresenta-se um poeta, no sentido quase religioso e maior desta difamada palavra.
Há em si uma grande emoção, uma bela sensibilidade, uma clara ideia da beleza, uma facilidade e correção de forma, uma amorosidade e ternura tal que provam bem ao olhar mais leigo que você é um bom poeta a alvorecer esplendorosamente.
Agradeço-lhe a gentileza da oferta do exemplar especial e do outro [2].
Abraça-o, num bom abraço de parabéns, o seu camarada amigo e admirador
José Bruges


[1] Refere-se José Bruges d’Oliveira à edição de ‘Poemas’, livro impresso em 28 de abril de 1922, em Lisboa, na Imprensa de Manoel Lucas Torres.
[2] Guilherme de Faria imprimiu o seu primeiro livro em dois formatos: a tiragem normal com 13,5 x 20 cm e a tiragem especial com 18 x 25 cm.


José Rui Teixeira | 2018