Passam hoje 111 anos sobre o nascimento de Guilherme de Faria.
Na Universidade Católica Portuguesa | Porto, a Cátedra Poesia e Transcendência celebra esta data com o Seminário Lembranças de não sei onde, Saudades de não sei quando…
Publicamos aqui o SONETO DA MINHA ÂNSIA, na sua versão de 1922:

Subir! Subir! Subir! – Eis o ideal
Único desta vida de imperfeito!
Quero subir, meu Deus, tenho o direito
De subir! Que, em minha alma de Imortal,

Sinto, às vezes, dourada e triunfal,
Uma luz singular! E sou perfeito
Embora sinta o Mar dentro do peito!
Sou divino, supremo e desigual!

Então ulula o vento da loucura…
E a voz eterna e clara da Aventura
Chama por mim, gritando, sem cessar…

Subir! Subir! Subir! Hei-de subir!
Que, em minha alma, Senhor!, ’stou já a sentir
Uma sombra de génio a perpassar! *

* ‘Poemas’, pp. 39-41. Este soneto foi integrado da antologia ‘Saudade Minha (poesias escolhidas)’, pp. 25-26, com o título SUBIR!. Existem três exemplares manuscritos autógrafos deste poema, com o título FEBRE, dois no Espólio da Família Leite de Faria [ESP. FLF] e um no Espólio de António Hartwich Nunes [ESP. AHN].